vc confia no “destino”?

Gente,

essa pergunta parece boba, superficial, com requintes de misticismo…mas não é não… O destino não é, sob o meu ponto de vista, algo determinado, fixo, imutável, e sim um “ventinho” (ah se minha tia Sílvia vê isso escrito!rsrsr) que nos leva para lugares que não pensaríamos em ir sozinhos… Resta estarmos leves o suficiente para sermos “levados”!

O Marco me mostrou um texto super legal outro dia que falava sobre isso. Vou fazer uma tradução livre (italiano português) para quem estiver com vontade de pensar sobre isso:

Havia, na ordem, uma cidade, uma ponte branca e uma noite chuvosa. De um lado da ponte vinha um homem com guarda chuva e sobretudo. do outro, uma mulher com sobretudo e guarda chuva.  Exatamente no meio da ponte, ali onde dois leões de pedra se olhavam há cento e cinquenta anos, o homem e a mulher pararam, olhando em volta. Então o homem falou:

– Cara senhorita, mesmo não conhecendo-a, me permito de lhe voltar a palavra para ressaltar uma estranha coincidência: neste mês, se não me engano, é a décima quinta vez que nos encontramos exatamente neste lugar.

– Não se engana, gentil senhor. Hoje é a décima quinta vez.

– Me permita de fazer presente que todas as vezes temos sob os braços um livro do mesmo autor.

– Sim, havia percebido; é meu autor preferido, e também o seu, presumo.

– Isso mesmo. Ainda, se me permite, cada vez que a senhorita me encontra, cora violentamente e, por qualquer estranha coincidencia, a mesma coisa acontece comigo.

– Havia notado também este fato. Poderia acrescentar que o senhor acena um leve sorriso e surpreendentemente, também eu faço o mesmo.

– É verdadeiramente inacreditável: além disso, cada vez tenho a impressão que meu coração bata mais depressa.

– É verdadeiramente singular senhor, para mim também é assim, e minhas mãos tremem.

– É uma série de coincidências mesmo fora do normal. Além disso, depois de haver encontrado-a, experimento, por algumas horas, uma sensação estranha e prazeirosa…

– Talvez a sensação de não ter peso, de caminhar sobre uma nuvem e de ver as coisas com cores mais vívidas?

– A senhorita descreveu exatamente meu estado de ânimo. E, neste estado de ânimo, começo a fantasiar…

– Uma outra coincidência! Eu também sonho que o senhor está a um passo de mim, exatamente neste ponto da ponte, e coloca minhas mãos entre as suas…

– Exato. Neste preciso momento, do rio se ouve o bater dos sinos que chamamos “os sinos do amor”.

– Sua fantasia é inacreditavelmente igual a minha! Na minha, depois daquele tocar um pouco melancolico, não sei porquê, eu coloco minha cabeça sobre seus ombros.

– E eu te acaricio os cabelos. Ao fazer isso, cai meu guarda chuva. Me abaixo para pegá-lo, a senhorita também e…

– E encontrando-nos de repente, face a face, trocamos um longo beijo apaixonado, neste momento, passa um homem de bicicleta que diz…

–  Sorte de vocês…Sorte de vocês…

Silêncio. Os olhos do senhor brilhavam, o mesmo faziam os da senhorita. Ao fundo se ouvia o melancólico bater de sinos que se aproximava. Ele disse:

– Creio, senhorita, que uma série assim impressionante de coincidências não seja casual.

– Creio eu também, senhor.

– Gostaria de dizer que não se trata de um particular, mas de uma longuíssima sequência de particulares. A razão pode ser uma só.

– Certo, não pode ser outra.

– A razão é – disse o homem suspirando – que existem na vida acontecimentos bizarros, misteriosas consonâncias, sinais reveladores que buscamos significar, mas dos quais, infelizmente, não possuímos a chave.

– Isso mesmo – suspirou a senhorita – precisaria ser medium, ou advinhador, ou talvez estudioso de qualquer disciplina esotérica para ser capaz de explicar os estranhos acontecimentos do destino que cotidianamente invadem nossa vida.

– Em todo caso, aquilo que aconteceu aqui é verdadeiramente singular.

– Uma série de impressionantes coincidências, impossível negar.

– Talvez um dia haverá uma ciência em grado de decifrar tudo isso. No entanto, peço-lhe desculpas pelo incômodo.

– Nenhum incômodo, foi um prazer.

– Até logo, gentil senhorita.

– Até logo, gentil senhor.

E se foram, cada um pelo seu caminho.

fonte: Benni, Stefano. L´ultima Lacrima. Feltrinelli – IT

Silêncio meu…

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